Taiwan condena "com veemência" patrulhas marítimas chinesas a leste da ilha

Taiwan condena "com veemência" patrulhas marítimas chinesas a leste da ilha

A Administração da Guarda Costeira de Taiwan condenou hoje o anúncio de novas patrulhas chinesas a leste da ilha, considerando que a operação integra as táticas de "guerra cognitiva" de Pequim para pressionar Taipé.

Lusa / Adicionar como fonte informativa
Ritchie B. Tongo - EPA

Num comunicado, a CGA indicou que continua a acompanhar "de perto" os movimentos dos navios Xiushan e Chongming, da Guarda Costeira chinesa, que às 08:00 locais (01:00 em Lisboa) se encontravam, respetivamente, a cerca de 151 milhas náuticas (279 quilómetros) a leste da Ilha das Orquídeas e a 43 milhas náuticas (79,6 quilómetros) a nordeste da mesma.

Estas posições situam-se fora do mar territorial e da zona contígua de Taiwan, que se estendem por 12 milhas náuticas (22,2 quilómetros) e 24 milhas náuticas (44,4 quilómetros) a partir da costa, respetivamente, embora ambas estejam dentro da zona económica exclusiva que Taiwan reivindica, a qual pode estender-se até 200 milhas náuticas (370 quilómetros).

"O navio Taipé e outras embarcações da Administração da Guarda Costeira continuam a monitorizar os navios chineses na área", indicou a CGA, reiterando que a República da China -- designação oficial de Taiwan -- é "um Estado soberano e independente" e não está subordinada à República Popular da China.

"Por motivos maliciosos e através de manipulação política, a China divulga informações falsas utilizando expressões como `ilha chinesa de Taiwan` e `patrulhas de aplicação da lei`. A Administração da Guarda Costeira condena veementemente este afastamento da realidade por parte da China", acrescentou o comunicado.

A reação surgiu depois de a Guarda Costeira chinesa ter anunciado hoje que um grupo de navios liderado pelo Xiushan realizou "patrulhas de rotina para aplicação da lei, em conformidade com a legislação, nas águas a leste da ilha chinesa de Taiwan".

A China reforçou a sua presença marítima a leste de Taiwan após o anúncio, em 28 de maio, do início das negociações entre o Japão e as Filipinas para delimitar as respetivas zonas económicas exclusivas e plataformas continentais, numa área situada ao largo da costa oriental da ilha.

Segundo analistas de defesa, esta zona é estratégica não apenas por concentrar importantes rotas marítimas para o comércio mundial, mas também porque seria a via utilizada por países como os Estados Unidos e o Japão para apoiar Taiwan em caso de invasão ou bloqueio naval por parte da China.

Os especialistas consideram ainda que o atual destacamento chinês poderá constituir o prelúdio de uma eventual quarentena marítima, através da qual Pequim poderia deter, inspecionar ou mesmo abordar navios comerciais com destino a Taiwan e interromper o fornecimento de bens essenciais, como o gás natural liquefeito, a principal fonte de produção de eletricidade da ilha.

 

 

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